Fragmento retirado do blog Mais Inês Pandeló
sexta-feira, 5 de março de 2010
NÃO A TRANSPOSIÇÃO DO RIO PARAIBA DO SUL.
Fragmento retirado do blog Mais Inês Pandeló
quinta-feira, 4 de março de 2010
DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos. Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (…) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.” Sobre a miscigenação: “Nós temos uma história tão bonita de miscigenação… [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.” As referências à história “tão bonita” da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas. O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular. Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas. A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários. No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes. Fonte: Site do PT
A história do nosso futuro
Por Rodrigo Cesar
Ao completar 30 anos, o PT se prepara para garantir não apenas uma vitória eleitoral, mas também pavimentar o caminho para um terceiro mandato presidencial superior ao segundo. Para enfrentar o desafio, a tática deve estar orientada pela estratégia.
Concorrem negativamente para este pressuposto a corriqueira definição de ações sem uma avaliação nem mesmo dos erros e acertos já cometidos anteriormente. Em geral, o predomínio das questões táticas e conjunturais, em detrimento dos aspectos estratégicos e estruturais, dificulta identificar as relações existentes entre momentos históricos distintos, fundamentais para situar lutas imediatas com objetivos de longo prazo. Conseqüentemente, reduz-se a capacidade de analisar os contrastes e as concordâncias entre o que se propôs anteriormente e o que se aponta para o futuro.
A construção do programa que irá nortear as ações do Governo Dilma deve considerar não apenas as realizações, avanços e transformações do Governo Lula, de um lado, e seus limites, insuficiências e equívocos, de outro. Construir uma perspectiva histórica das propostas já apresentadas à sociedade brasileira contribuirá para que avaliações e balanços críticos das experiências vividas sirvam de subsídios à elaboração de políticas capazes de proporcionar mudanças mais profundas, articuladas com a luta por uma sociedade socialista.
Assim, quando o PT, em seu IV Congresso, assume a dimensão estratégica da juventude na construção do que chamou de Projeto de Desenvolvimento Nacional Democrático Popular, torna-se ainda mais enriquecedor visitar as formulações dos programas de juventude das candidaturas Lula.
Desde 1989 o PT apresenta propostas que buscam soluções para os problemas vividos pelos jovens. Já naquele período reconhecia-se a existência de uma etapa da vida, considerada um tempo difícil de transição, sobretudo em países como o Brasil. Reconheciam-se, inclusive, diferenças nas realidades vividas por diferentes faixas etárias, origem territorial (urbana ou rural) e de gênero. Os aspectos étnico-raciais surgem somente em 1994. Mas aparece com força na denúncia: Há guerra não declarada contra a juventude, marcadamente contra a juventude negra e das periferias das grandes cidades.
Dados e pesquisas de 1989 sobre os jovens no mundo do trabalho levaram à seguinte conclusão expressa no programa: o agravamento das condições de vida da classe trabalhadora leva parcelas importantes da juventude a ingressar prematura mente no mercado de trabalho, em prejuízo de sua formação educacional.
O programa de 1994, além de repetir o mesmo raciocínio, somou à formulação a explicação de que o trabalho precoce dos jovens decorria do objetivo de somar seus ganhos à renda familiar e uma caracterização do trabalho informal juvenil: jornadas de trabalho longas, baixos salários e nenhum tipo de seguro. Diagnóstico semelhante se repete em 1998. Em 2002, o desemprego torna-se destaque, quando se afirma que metade dos desempregados do país é de jovens e que é nessa faixa etária que se encontra o maior índice de desemprego.
Como quem pretende evidenciar uma prova de que ainda existem mudanças estruturais fundamentais a se realizar, em seu Encontro Nacional de 2010, a JPT aprovou uma resolução com avaliação similar à de 1989. Qualquer semelhança não é mera coincidência: A grande maioria dos jovens, principalmente, os das famílias de baixa renda, não consegue conciliar os estudos com o trabalho – sendo grande o número dos que não conseguem concluir o ensino médio, muitas vezes nem mesmo o ensino fundamental, exatamente por já estarem inseridos no mundo do trabalho.
Desde os primeiros programas para a juventude brasileira, o PT identificava a existência de uma condição juvenil, reconhecia a heterogeneidade e diversidade dos jovens – justificando a necessidade de políticas específicas – e considerava que a maioria da juventude era prejudicada pela necessidade de abandonar os estudos visando contribuir com a renda familiar por meio de trabalho, em geral, mal remunerado e em condições precárias.
As propostas que visavam combater esta realidade comprometedora de falta de perspectivas sofreram mudanças ao longo do tempo. Mantiveram, entretanto, dois eixos fundamentais: por um lado, garantir aos jovens que buscam seu primeiro emprego (1998), mas não encontram reais oportunidades (2002), a absorção dessa mão de obra no mercado de trabalho (1994) com uma política específica de empregos (1989); por outro, impulsionar políticas de incentivo ao aperfeiçoamento (estágios remunerados) e qualificação (cursos técnicos e profissionalizantes) dos jovens (1998) aliadas à maior formação escolar acadêmica e profissional (2002), com a melhoria da qualidade do ensino e o aumento da oferta de vagas (1989).
O programa de 2006 resume a ópera: A geração de trabalho e renda e a qualificação profissional são alguns dos desafios de uma política nacional de juventude. A promoção da formação profissional e incentivo à escolarização aliada à oferta de postos de trabalho é uma política pública ideal para garantir aos jovens o direito ao trabalho.
Em meio a tantas semelhanças, há espaço para diferenças significativas que mereçam nossa atenção. Elas aparecem seja como reflexo das mudanças de estratégia, tática e programa pelas quais o partido passou, seja pela crescente inserção e formulações que o tema juventude ganha ao longo das duas últimas décadas.
Por um lado, aumentou-se a centralidade dada ao crescimento econômico como pedra de toque para superar obstáculos, o que gerou, nos programas de juventude, a idéia de que o crescimento econômico a taxas substantivas traria as respostas ao número cada vez maior de jovens que não conseguem ingressar e permanecer no mercado de trabalho (2002). Ou seja, não mais um padrão alternativo de desenvolvimento, articulado às reformas democráticas e populares, seria responsável pela melhoria das condições de vida dos jovens, e sim o crescimento e o emprego decorrente.
Ainda que contribuísse para diminuir a taxa de desemprego entre jovens a política de garantia do primeiro emprego, amparada na qualificação profissional e nos estímulos à contratação de jovens pelas empresas, constituía uma resposta conjuntural para um problema estrutural e, portanto, incapaz de dar resultados consistentes e duradouros.
Por outro lado, o arranjo institucional específico para coordenar as ações direcionadas aos jovens e os marcos legais para que a política de juventude se torne uma política de Estado ganham corpo como pauta apenas no programa de 2006. Nele, afirmava-se que até o Governo Lula, os programas e ações eram pontuais e pouco articulados entre si e que depois o Estado brasileiro passou a reconhecer os jovens como sujeitos de direitos específicos e universais, o que tem assegurado oportunidades e direitos de cidadania aos jovens. É possível dizer, portanto, que o PT vem contribuindo sobremaneira na inserção e formulação do tema juventude desde a década de 1980, antes de completar 10 anos, mas sua capacidade de pautar a sociedade diante das questões enfrentadas pelos jovens cresceu enormemente com a presença no governo federal.
Durante o Governo Dilma iremos articular ações que combatam o ingresso precoce e em condições precárias dos jovens no mundo do trabalho com políticas educacionais e programas de transferência e geração de renda, formação e qualificação profissional. Para isso, será necessário considerar outros fatores que impulsionam a busca precoce por trabalho e emprego entre os jovens, para além da necessidade material familiar: a busca de autonomia, a experimentação de outras esferas da vida e a definição de identidades.
Entretanto, além de compreender a condição juvenil e traduzir a heterogeneidade dos jovens ao viverem sua juventude em políticas que combinem o atendimento das demandas emergenciais e específicas às políticas estruturantes e universais, é fundamental garantir, a todos os jovens brasileiros, o direito ao trabalho ao mesmo tempo em que se garante o direito à educação, o que envolve superar o desgastado e insuficiente binômio qualificação-emprego. Sem possibilitar a convivência harmoniosa entre a continuidade dos estudos e o trabalho decente e bem remunerado, não é possível falar no desenvolvimento material, intelectual, cultural, político e moral da juventude.
Nas diretrizes para o programa de governo em 2010, o PT afirma que criar as condições para formar uma geração capaz de disputar e dar continuidade aos avanços políticos, sociais, econômicos, culturais, científicos e ambientais que o país necessita exige impulsionar reformas democráticas e populares que garantam a integração das novas gerações ao processo democrático e ao projeto de desenvolvimento sustentável. Em suma, o conjunto do partido passa a entender, como foi apontado pelo ENJPT ocorrido duas semanas antes, que é preciso se apropriar da temática juventude, não apenas no sentido da luta por direitos específicos, da reparação social ou das políticas afirmativas, mas também na perspectiva de que os grandes desafios colocados para a sociedade se desdobram na juventude, ou seja, nas novas gerações.
O Programa Setorial de Juventude com o qual Lula disputou as eleições de 2006 já apontava para a necessidade de investir na juventude visando preparar toda uma geração para assumir responsabilidades com o presente e o futuro do Brasil. Contudo, em 2006 não se evidenciavam dois elementos que diferenciam as diretrizes de 2010: primeiro, a centralidade que a juventude passa a assumir na construção do projeto de país, agora dotada de uma dimensão estratégica; segundo, a retomada da idéia de que será necessário um padrão alternativo de desenvolvimento, com a implementação de reformas democráticas e populares, para transformar estruturalmente a vida da juventude brasileira.
Aliados ao acúmulo teórico, político e institucional que o PT adquiriu nos últimos anos referente ao tema juventude estes dois elementos contribuem para que as questões estratégicas e estruturais orientem nossa tática, nosso programa e nossa ação.
A juventude, quando se lança em uma tarefa e busca conhecer o que foi feito para melhor prosseguir, constrói a história do seu futuro.
Rodrigo Cesar é militante do PT de Guarulhos/SP e da JPT
Fonte: Página 13
quarta-feira, 3 de março de 2010
Grande mídia organiza companha contra a candidatura de Dilma
Reproduzimos abaixo reportagem de Bia Barbosa, que teve estômago para assistir à conspiração da direita midiática realizada no último dia 1º no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza em evento patrocinado pelo Instituto Millenium e auto denominado “1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão”. O texto foi publicado no sítio Carta Maior.
Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.
Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.
A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.
“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.
A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.
“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.
O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.
“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.
“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.
O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.
Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.
“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (…) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (…) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.
O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.
“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.
Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.
Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque. “Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.
“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.
“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.
Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.
Fonte: Página 13
terça-feira, 2 de março de 2010
Projeto de Revitalização da PJ Latino-Americana

Em comunhão com a Grande Missão Latino Americana, impulsionada pela Conferência Episcopal de Aparecida/Brasil, a Pastoral da Juventude Latino-Americana organizou um projeto de 4 anos com o objetivo de participar de modo ativo na tarefa confiada à Igreja do Continente.
Em 2010 o projeto está centrado na etapa do DISCERNIMENTO. O chão deste exercício de discernir é sempre a realidade – a vida dos/as jovens – continuamos dois movimentos anteriores – Encantar e Escutar – acrescentamos o movimento de discernir.
Esse movimento culmina com o III Congresso Latino Americano em setembro de 2010, na Venezuela.
Neste movimento teremos a retomada do caminho, o Projeto de Revitalização da PJ: A vida dos/as jovens, o relato da Escuta que aconteceu no XVI Encontro Latino Americano em Cochabamba/Bolívia, em outubro de 2009 que nos ajudará a retomar o processo ou ainda, articular as nossas ações de evangelização da juventude.
O programa desta etapa está descrito no Roteiro Discernir que nos indicam o caminho a ser percorrido neste ano. Esta etapa encerra com o III Congresso Latino Americana da PJ para a preparação do mesmo temo o hino e a oração. Também estará disponível uma página web www.pjlatinoamericana.com com uma sequência materiais para nos apoiar no aprofundamento. Um texto do Pe. Hilário Dick, Brasil sobre a etapa do discernir, outro texto de Carlos Mesters e Francisco Orofino, Brasil Jesus Formando e Formador que foi apresentado na 3ª semana da catequese/CNBB e o instrumento de estudo sobre o documento de Aparecida do Padre Alexis, secretário executivo do CELAM.
A preparação e a vivência serão motivadas por uma temática mês a mês. Temos até o III Congresso 8 (oito) meses. Este tempo de interação entre os jovens e adultos – coordenações e assessorias, onde leigos/as, religiosos/as, presbíteros e bispos envolvidos na missão e nos trabalhos de evangelização da juventude são convocados/as a entrar nesta ciranda.
O Congresso é um dos momentos mais chaves do caminho de Revitalização da PJ do Continente. Por isto, exige uma preparação cuidadosa tanto dos/as delegados/as, como de todas as Pastorais de Juventude e grupos convidados a participar do evento.
Participar do III Congresso de modo virtual, escutar as histórias dos/as jovens, fazer fotos para compor um grande painel é uma das tarefas, assim, como o encontro dos grupos de jovens, enviar suas idéias, para fazer parte de um grande tecido de várias cores.
O Brasil tem a tarefa de mobilizar o continente, para o tema “Os diferentes rostos das culturas juvenil na AL e no Caribe” e para o exercício da leitura orante da Bíblia os textos 1 Re 3:3-14 e Lc 1,26-38.
Fonte: Casa da Juventude
segunda-feira, 1 de março de 2010
Aluno de hoje não quer ser o educador de amanhã
Adital -
Déficit
O resultado prático do pouco estímulo à carreira do professor é transparente
a demanda por profissionais é sensivelmente maior do que a oferta. Segundo estimativas do Inep, do Ministério da Educação, o déficit de professores com formação adequada à área que lecionam chega a 710 mil no ensino médio e nas séries finais do ensino fundamental
Como esses professores são substituídos precária e temporariamente por pessoas não qualificadas para o cargo, existe no país o que se chama de "escassez oculta". Afinal, no papel, a aula existe; uma espécie de auto-engano, no qual sofre o educando
Em áreas como a de Física, o porcentual de docentes graduados no campo de saber específico é de apenas 25,2%. Na de Química, o total é de 38,2%
Esse panorama se mostra ainda mais dramático se considerado que 41% do corpo docente brasileiro têm mais de 41 anos e está próximo da aposentadoria. Os últimos Censos Escolares da Educação Básica mostraram que o número de aposentadorias tende a superar o número de formandos nos próximos anos.
Resultados práticos
Com esses dados, não é difícil entender porque, nem mesmo a escola tem atraído seus alunos. Segundo o Censo Escolar de 2006, do Ministério da Educação (MEC), do total da população entre 15 e 17 anos (cerca de 10 milhões), 3,6 milhões matricularam-se no ensino médio - 1 milhão sequer havia concluído do ensino fundamental.
Com a evasão, apenas 1,8 milhão se formou. Quando analisado o comportamento dos jovens de 18 a 24 anos, os dados são ainda mais desastrosos: 68% não freqüentam a escola. Destes, 34% sequer trabalham.
"Hoje faltam profissionais para uma série de postos de trabalho. Essa tendência tende a se agravar futuramente, se não houver ações para enfrentar o problema, pois a qualificação de um profissional prescinde no mínimo do ensino médio completo. Para um país como o Brasil, que pretende crescer, esse é um sério entrave", analisa a diretora-executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel
Patrocinado pela Abril Educação, o Instituto Unibanco e o Itaú BBA, o estudo Atratividade da Carreira Docente no Brasil pode ser acessado livremente por interessados.
* Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife)
Privatizações à moda tucana

Nesta edição, o confronto já esboçado está na capa. Aqui me agrada recordar certas, fundamentais circunstâncias em que se deram as privatizações celebradas como trunfo do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, em primeiro lugar, o desmantelamento da velha Telebrás, leiloada para uma plateia de barões à sombra do martelo de um punhado de extraordinários leiloeiros.
Final de 1998, FHC já reeleito, mas ainda não empossado, para o segundo mandato. Operação entregue aos cuidados do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de André Lara Resende, presidente do BNDES, de Ricardo Sergio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. Entre outros menos qualificados. Grampos variados acabaram por revelar o pano de fundo de uma bandalheira sem precedentes na história pátria.
Foi uma orgia de fitas. Em sua reportagem de capa da edição de 25 de novembro de 1998, CartaCapital dizia: "Fala-se em 27, mas certeza só tem quem participou dos grampos". Ilegais, obviamente, e desde o início do ano destinados a ouvir as conversas do próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ainda estava na presidência do BNDES. O que movia os grampeadores, adversários de Mendonção, era buscar as razões da vertiginosa ascensão da Link Corretora de Mercadorias Ltda., dos filhos do grampeado: em quatro meses de atividade tornara-se a terceira operadora no ranking do Índice Bovespa Futuro. "Cerca de 40% desse índice – sublinhava CartaCapital – era composto por ações da Telebrás, empresa sob o comando do presidente do BNDES."
O cerco a Mendonção prosseguiu mesmo quando ele se mudou para o Ministério das Comunicações, e ali, no seu gabinete, as gravações mais significativas, relativas ao leilão da Telebrás, foram executadas entre 21 de julho e 21 de agosto de 98. O próprio governo, pego no contrapé, cuidou de divulgar uma versão da fitalhada, com cópias generosamente fornecidas às semanais Veja e Época. Cópias amplamente manipuladas, para provar a lisura dos comportamentos das figuras governistas chamadas a conduzir a privatização do sistema. Ocorre que outros ouvidos entraram em cena, e tiveram acesso a largos trechos cancelados nas versões oficiais. Os ouvidos de Luiz Gonzaga Belluzzo e do acima assinado, que participaram de uma audição especial, e do então redator-chefe, Bob Fernandes, privilegiado em outra ocasião.
Cito algumas passagens edificantes, que não figuravam nos textos de Veja e Época. De Mendonção para o irmão José Roberto: "O negócio tá na nossa mão, sabe por quê, Beto? Se controla o dinheiro, o consórcio. Se faz aqui esses consórcios borocoxôs são todos feitos aqui. O Pio (Borges, vice-presidente do BNDES) levanta e depois dá a rasteira". De Mendonção para André Lara Resende, novo presidente do BNDES: "Temos de fazer os italianos na marra (Telecom Italia) que estão com o Opportunity (...) fala para o Pio que vamos fechar (os consórcios) daquele jeito que só nós sabemos fazer". De André Lara Resende para Persio Arida, sócio de Daniel Dantas no Opportunity: "Vá lá e negocia, joga o preço para baixo, depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite".
As pressões chegam ao clímax, e Mendonção propõe: "Temos que falar com o presidente". E Resende: "Isso seria usar a bomba atômica!" E ele a usa: "Precisamos convencer a Previ", recomenda a FHC. A Previ poderia prestar-se ao jogo, como se prestou no caso da privatização da Vale do Rio Doce. O fundo, contava Carta-Capital na reportagem de capa assinada por Bob Fernandes, "parecia compor-se com o grupo capitaneado por Antonio Ermírio de Moraes, à última hora bandeou-se para a nau pilotada por Benjamin Steinbruch". Na manobra para enredar a Previ no caso do leilão da Telebrás, foi decisiva, segundo os trechos omitidos das versões oficiais, a pronta colaboração de Ricardo Sergio, o diretor do Banco do Brasil.
Tal é o bastidor das privatizações à moda nativa, ou melhor, tucana. Ou fernandista, se quiserem. A trupe dos privatizadores abandonou a ribalta faz bom tempo, mas não é arriscado imaginar que viva dias pacatos. O mais ostensivo, no seu bem-bom, é André Lara Resende, hoje dono de uma quinta em Portugal. Devotado aos esportes equestres, freta aviões para importar seus cavalos.
Fonte: Carta Capital
